História do Parque com Linha do Tempo

O Parque das Sequóias tem 70 anos de história. Encravado em meio à mata nativa de Canela, na Serra Gaúcha, o parque é uma das maiores coleções de árvores de todo o mundo, possuindo exemplares de sequóias e metasequóias – as espécies de árvores mais altas do mundo. Saiba um pouco mais sobre sua história:

Nos idos de 1945, Curt Mentz e sua esposa Osmilda adquiriram esta área, construindo uma casa de veraneio no estilo bávaro, ajardinando as imediações com árvores características do estilo, as coníferas.

Havendo no todo áreas desmatadas, surgiu a ideia de implantar um reflorestamento. Nossa região na época era explorada por serrarias para exportação e por uma fábrica de celulose que utilizavam basicamente o pinheiro, que tem o crescimento lerdo.

Numa pesquisa sobre reflorestamento no hemisfério norte verificou-se a opção de diversas coníferas para a produção de madeira, celulose, lenha, carvão, breu, vernizes, álcool e outros subprodutos.

Como a intenção não seria de um reflorestamento industrial, por não haver área para tal, e somente seria aproveitado pelos filhos ou netos, o ideal teria que ser maior e a opção deveria ter um cunho científico para ser aproveitado pelo estado e pelo país.

Curt partiu então, com apoio da esposa e dos filhos, para um ARBORETUM, escolhendo dentro do grupo das coníferas as espécies que respondessem rapidamente as necessidades do país, gerando uma verdadeira coleção para pesquisar quais delas dariam resultado no mais curto prazo.

Já em 31/03/49 chegava o primeiro lote de sementes de Paris, lá adquiridas por um primo num estabelecimento especializado. Em seguida, foram adquiridas espécies da América do Norte a partir de um fornecedor em Nova York, bem como da mesma forma, espécies da América do Sul em Buenos Aires. Bem mais difíceis foram as espécies da América Central, Oceania, Ásia, e África, mais adequadas ao nosso clima. Porém, geraram mais emoção, pois formou-se um relacionamento internacional a base de trocas.

Curt se valeu de ser “companheiro” do Rotary Club Internacional, pois sendo as comunicações da época precárias, tudo era feito por correspondência e a base de favores, utilizando o dito companheirismo. Assim, encontrou fornecedores no México, Cuba, Índia, Japão, Austrália, etc., tendo que se valer muitas vezes de companheiros no norte e nordeste do Brasil para fornecer as trocas de sementes não existentes aqui no sul.

Conforme seu diário, transcrevo:

Em 16/12/1951

Recebeu a medalha de ouro na exposição do Menino Deus em Porto Alegre expondo 50 espécies. “Um primeiro reconhecimento pelo trabalho no reflorestamento do Rio Grande do Sul”.

Em 29/06/1955

Fomos visitados por Paul Kozdon, Supervisor de Reflorestamento de Bariloche, Argentina, que considerou nosso trabalho único no mundo.

Em 21/09/1956

Recebeu a medalha comemorativa da Campanha de Educação Florestal organizada pelo Ministério da Agricultura, sendo lhe outorgada a Comenda da Ordem da Árvore.

Em 26/12/1958

Foi aberta ao público a primeira parte da obra projetada no Jardim Botânico de Porto Alegre. Esta se compunha de 3 setores:

  • o Palmaretum (20 espécies),
  • as Suculentas (500 espécies)
  • e o Coniferetum (mais de 70 espécies).

Deste último a maior parte da coleção foi doada por Curt Mentz.

O Parque da Redenção e outras praças de Porto Alegre, diversas praças do interior do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná e até Assunção no Paraguai, não falando na nossa região, receberam mudas de nossos viveiros.

“Enquanto nos for permitido trabalhar por este fim, faremos desta terra, um paraíso. Isto tudo para que com minha querida Osmilda, companheira no amor e esperança, tenhamos paz na velhice. É um ideal que nós vivemos e se tiver um aproveitamento material para a nação então ele não foi em vão!”

“Queridos pais, que Deus mantenha vossos espíritos com muita luz e paz. Na esperança de me “guiarem”, continuo dando um cunho científico ao trabalho que acompanho desde os meus 10 anos de idade, recebendo valiosos elogios e reconhecimento pelo vosso “paraíso”. Pedindo a Deus que possa transmitir a minha companheira Aglaé, filho Ricardo, sua esposa Cintia e netos Roberto e Rodrigo tanto amor e esperança quanto me deram, e se nossas Sequóias tiverem a longevidade das da Califórnia, vosso nome será lembrado por mais de 2500 anos, MARTIN.”

(Martin é filho de Curt Mentz. O administrador hoje do Parque é seu filho Ricardo)